Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias,
bem assim:
que seja doce

Caio Fernando de Abreu

sábado, 12 de maio de 2012

Dói


Ele odeia minhas partes ruins muito mais do que gosta das minhas partes legais. E eu só quero dizer que isso dói.

Isa G.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Sendo um filme ou não...


"Eu enfrentaria o mundo com uma mão,
 se você segurasse a outra."
Caio F. de Abreu


Você diz que eu encaro a vida como se ela fosse um filme. Sendo utópica demais, romântica demais, “poetizando” tudo que faço e falo. E sabe que eu vejo a vida assim mesmo? Eu acredito que quando as pessoas brigam, logo em seguida ou vão se abraçar e beijar ou vão acabar resolvendo o problema mais tarde. Acredito que tudo o que acontece tem uma razão (tanto as coisas boas quanto as ruins) e acredito fielmente no amor e em sua capacidade de transformar pessoas. Sei que a vida não é um filme. Sei que é sofrida, que os problemas não se resolvem na velocidade com que se resolvem nas telonas e sei que nem todos os finais são felizes e justos como costumam ser em finais cinematográficos. Acontece que gosto de ver a vida assim mais bonita, mais cheia de graça. Sofro muito mais (não tenho dúvida), mas até o sofrimento é mais bonito e acho que as pessoas e o mundo andam precisando desse tipo de beleza, dessa pureza em querer poesia em qualquer lugar. Acredito muito mais em casais que andam de mãos dadas do que nos que andam distantes um ao lado do outro. Acredito muito mais em quem olha nos olhos do que em quem fica desviando o olhar enquanto conversa. Acredito muito mais em pais que conversam e dão risadas com os filhos do que naqueles que gritam e colocam de castigo. Pode ser raro, mas é bonito e acredito que essa beleza possa se espalhar. Então, vamos fazer o seguinte: Eu entendo que você seja realista ao extremo e não te acho errado por isso, entendo que esse negócio de romantismo demais não seja sua praia... A vida faz com cada um aquilo que é preciso pra fortalecer a gente. Mas, se eu te beijar em público, se eu te olhar com os olhos cheios d’água, se eu quiser dançar com você no meio da rua sem música... Dança comigo. No mínimo você vai dar risadas e me deixar feliz. Mesmo que você não acredite que a vida seja um filme que mistura todos os gêneros e todos os tipos de personagem no mesmo roteiro. Mesmo que às vezes eu exagere nesse meu encantamento pelo amor e naquilo que vem dele e fique um pouco nostálgica demais. Fica comigo e me abraça no meio da noite, pega minha mão e me gira na cozinha, toca violão pra mim numa noite de lua cheia. Me lembra como eu faço te sentir e me faz sentir o amor que tem por mim. Não são clichês. Não pra mim. Porque eu acredito que essa nossa história é de cinema sim. A felicidade que você me dá, o nosso encontro como foi e o caminho que percorremos me dá ideias pra vários filmes. Mas não vou produzi-los agora porque quero viver esse filme.. Porque viver com você é uma aventura, suspense, romance, nos momentos de briga é um terror e da minha parte sempre tem um drama. Então que a gente viva esse realismo cinematográfico que tem me feito tão bem da sua forma realista, mas com as minhas pitadas de poesia... E quem sabe um dia a gente não inspira um filme!! Tá bom... Chega de utopia por hoje. Mas ó, só mais uma coisa... A vida sendo um filme ou não... Ela é muito mais bonita quando você segura minha mão. Acho que esse podia ser o cartaz do nosso filme. Tá bom, parei! ;)

Isa G.

domingo, 15 de abril de 2012

Do que se pode dizer do amor...


Do que se pode dizer desse sentimento mais nobre, lindo, gostoso, egoísta e altruísta que se contradiz de tantas outras formas perfeitas, sei de uma coisa. Esteja certo de que: Ou o amor nos enlouquece, ou enlouquecemos o amor... Simples, louco e bom assim.


Isa G.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Ao Jack

Este post é extremamente pessoal.


Todo criança já teve um cachorro. Mesmo aquelas que depois desenvolveram um medo terrível do bichinho. Mas, não há quem não se encante com um filhote, com as patinhas gordinhas, a barriguinha e as travessuras.
Infelizmente, nessa madrugada perdi não só um cachorro, mas um amigo, companheiro e tremendo bagunceiro. E o perdi por maldade alheia, já que, a evidência maior é de que tenha sido envenenado. Ele completou cinco meses no dia 08/02/12; cheguei ontem de viagem, cuidei o dia todo com medicamento e soro, mas ele não resistiu. Só quero deixar aqui registrado o amor que cresceu em mim por ele mesmo em pouco tempo. O meu Jack não era qualquer um. Ele destruía umas cinco plantas por dia, puxava as roupas do varal, mordia o calcanhar, rastejava pelo chão, ficava andando no meio das pernas das pessoas e, às vezes, sentava entre elas e escondia a cabeça na bermuda. Fazia arte o dia todo e era muito especial. Agradeço por ter chegado a tempo de cuidar dele e ter me despedido. Assim, acho que ele pôde perceber que eu o amava e fiz o que estava ao meu alcance para que ficasse bem. Claro que vai ficar um buraco no peito e um vazio na casa, mas não quero lembrar do Jack de ontem. Quero me lembrar do Jack dos outros quatro meses que conquistou meu coração, um lugar na casa e a afeição de tanta gente.

"Onde você estiver não se esqueça de mim...", Jack!! 


... E eu jamais me esquecerei de você!


Isa G.




sábado, 4 de fevereiro de 2012

O que eu vejo

Oi gente!! Blog parado né?! É por causa das férias!! Logo, logo tem texto novo por aqui =) Enquanto isso, vou deixar aqui algumas fotos que curti bastante dessa semana!!! Beijoss

Arco-Íris depois de muita chuva!!!!

Yasmin - descansando na sorveteria onde eu estava

Algumas eu que fiz ;) Quem quiser dicas é só falar!!!

Bom fim de semana galera!!!!

Isa G.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Então é isso...

 ...Aprendi que o amor é feito de liberdade.
 É como ter, todos os dias, muitas outras opções.
 E ainda assim fazer a mesma livre escolha. - Cris Guerra


Tem coisas que não foram feitas para se guardar no coração. O tempo passa, sabe? E... Foi isso que pensei hoje quando me deitei no divã. Então quero te dizer. Quero que saiba que conhecer você foi uma das melhores coisas que já me aconteceu. Ver você chegar todo solto, livre e largo, assim de perto. Encontrar seu olhar em cada sorriso e seu sorriso em cada singelo gesto. E... Que eu adoro ver você dormir, te fazer cafuné e quando você me puxa e abraça no meio da noite. Gosto de quando você me aperta e cria apelidos que me fazem rir e sentir querida. E... é importante que também saiba que se hoje o amor já não me é estranho é por causa de você. Com todos os erros e acertos, com as dificuldades e nos momentos de risadas você me ensinou e esperou. E que odeio quando a gente briga. Quando você se irrita, 'levanta' a voz. Quando você se ausenta e parece que vamos nos perder. Entende?! Não quero que a gente se perca. Fico triste e durmo mal .Sinto sua falta. Todos os dias. Das palavras, músicas, dos olhos, das mãos dadas. E... Quero que entenda a forma como mora em mim - quase surreal  - com esse sorriso torto e jeito de homem menino tomou conta desse coração que vive aqui nesse peito atropelado, meio manco. E cada vez que ele pulsa pedaços de você correm por mim. Fazendo cócegas, dando medo, fazendo sentir amor, adrenalina. E eu te cuido assim, sabe? Te desejo luz e amor sempre e te quero feliz. Sei que o amor que sinto por você vai viver sempre em mim e não se esqueça disso. Ah! E... Eu amo viajar, mas não existe melhor lugar pra chegar e ficar do que o abraço seu. Então é isso: você me enxergou, achou bonita, quis ficar comigo, me deu amor, sorrisos, viagens, companhia, sonhos. Dividiu seus amigos, histórias, tempo. Com você eu vi o que é amar e ser amada e em cada partida pra encontro ainda suo frio e fico toda trêmula e boba com o coração disparado. Porque é você... O tempo todo. Passo e desequilíbrio. Sonho e insônia. Meu menino, onde me acho. E com esse meu jeito louco, desvairado e sentimental é que te sinto e te amo e é assim que você mora em mim. E eu espero que nessa nossa história linda e imperfeita eu consiga te fazer sentir. E que consiga te mostrar. O mundo. A vida. Você. Eu. Nós. E que eu também viva em algum lugar aí dentro e que te faça rir e sonhar e amar. Porque... Sei que o nosso encontro, inusitado como foi, não foi por acaso. E... acho engraçado essa sua mania de querer ser melhor em tudo. E ao mesmo tempo admiro, sabe? Essa vivacidade sua e esse querer ser sempre mais. Você transpira vida. Gosto quando a gente tá perto. De quando você joga e eu leio e mesmo assim a gente tá conectado, sabe? É um carinho aqui, um chamado ali. Um beijo inesperado. E é bom. Gosto disso. Gosto de você! Cara, como eu gosto! E... Quando a gente viaja e canta e conversa. Mesmo que... Claro... Às vezes a gente não se entenda, mas dá pra ver, dá pra sentir... Existi amor. E é você... E... Então é isso.

Isa G.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O que eu vejo


Gente, esse alce foi produção minha!!! Ele é feito de feltro com espuma dentro =) Na verdade ele é um enfeite de Natal ( já pra entrar no clima), mas achei legal aí também! A ideia veio da cunhada!! Foi a maior diversão fazer os enfeites... Eu, ela e as crianças!! Fica aí a dica pra quem quer fazer algo diferente, distrair e pra família toda divertir!!


p.s.: logo, logo um textinho por aqui!!

Isa G.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O que eu vejo

"O essencial é invisível aos olhos.
Só se vê bem com o coração."

Antoine de Saint-Exupéry


Gente, tudo bem por aí?  Trouxe novidade aqui pro Amargamente Doce !! Bom... Não sei se já falei por aqui, mas sou apaixonada por fotos!! Resolvi criar esse espacinho aqui e compartilhar com vocês os cliques que dou por aí e que me agradam muito!!! Espero que gostem, comentem, curtam e opinem =) Quem tiver uma foto que gosta muito e quiser compartilhar aqui é só entrar em contato comigo, ok?
Pra começar... Uma foto desse fim de semana: Passou o lindo filme Monstros S.A. na TV e eu ganhei um Sulley (que eu chamo de Boo) pra ser meu monstrinho! Assim que vi que "ele estava na TV" corri e tirei essa foto! Bem vindos ao "O que eu vejo"!!!! Lembrando que as fotos podem ser usadas se gostarem, mas com os devidos créditos! Quero saber o que acharam, hein? 

Michael "Mike" Wazowski; James P. "Sulley" Sullivan e meu "Boo"


Isa G.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pesadelo

Na noite passada tive um pesadelo. Sonhei que uma bruxa malvada jogou um feitiço sobre mim e sai magoando todas as pessoas que me amavam. Enfeitiçada, não sabia mais sorrir; enfeitiçada, não sabia ouvir. O feitiço foi tão forte, tão forte, tão forte que me paralisou por dentro (coração, alma e pensamento) e por fora (olhos, ouvidos, o tato). Fiquei completamente estranha a mim mesma. Andando sempre cabisbaixa e sem dar atenção a ninguém, voltando-me somente para a maldade, rispidez, medo interior, as pessoas pelas quais sempre tive muito carinho se afastaram. Não dei a mínima. O feitiço era também anestesia. Anestesiei o bom senso, o altruísmo. Comecei a pensar somente em mim, mim, mim, mim! O que eu queria, o que eu sabia, o que eu achava, o que eu pensava! Eu, eu, eu! Sempre eu! E aquela menina de antes, com o coração de luz e alma furta-cor se tornou cinza, ficou apenas num retrato em preto e branco mordido por traças. A bruxa malvada era poderosa. Fez de tudo pra que eu perdesse a minha identidade, me esquecesse de quem era e passasse a ser exatamente como ela. Descobri porque bruxa é tão feia como é: por causa de tanta sujeira interna, um rosto, um corpo não conseguem ser bonitos fora. Quando só se tem lama de dentro, mosquitos cercam por fora. E nesse pesadelo insano e doloroso fui me tornando bruxa. O sonho ficou escuro, chovia o tempo todo e eu não sentia nada. Foi num momento curto e essencial que tudo mudou. Com a chuva constante, forte, grossa, que batia na pele e machucava, uma poça se formou logo adiante. Cansada, perdida, sozinha... Parei. Foi quando olhei a poça e vi no reflexo o que estava me tornando. Horroroso, doloroso, feio de ver. Mas foi o que quebrou o encanto. Essa água que caia da tempestade dos céus - por mais tenebrosa que parecesse - era pura, cristalina, assim como a minha alma escondida num corpo assombroso. E olhando o meu reflexo vi duas pessoas: a que eu era e a que estava sendo. Uma fosca, outra brilhante; uma limpa, outra suja; uma sorria, outra chorava... Foi então que uma voz muito próxima a mim, falou: "Poção e quebra de feitiço, bruxa e fada, cegueira e portas d'alma... Tudo isso é você. Aí dentro mora mil cadeados e mil chaves... Quinhentos bons, quinhentos ruins. Basta você saber separar." Era verdade, então. Eu era a bruxa de mim mesma e só eu poderia me libertar. Cai de joelhos sobre a poça d'água e pedi, pedi que isso tudo não passasse de um pesadelo. Seis mãos se estenderam para mim nesse momento. Mãos conhecidas, queridas, as com os melhores toques desse e de todos os outros mundos imagináveis. Seis mãos me ajudariam a reerguer. Seis mãos me ajudariam a limpar a sujeira. Mãos, que abandonei quando enfeitiçada e que, mesmo assim, não me deixaram. Sabiam do feitiço e que ele acabaria. Acordei assustada, suando frio, tremendo e fui logo me olhar no espelho. Eu ainda era eu, mas com uma diferença: Agora eu sabia que bruxa também tem nome de ego e que isso mora dentro da gente e pra libertar, basta um pisão em falso. Então joguei água no rosto, percebi que aquilo poderia ser realidade. Chorei. Mas, em seguida percebi que se eu quisesse ser pra sempre fada encantada, jamais bruxa, mãos, corpos, bocas e olhos estariam ali para mim. O que quebra o feitiço é o amor. O próprio. O do outro. O que vem de Cima. Adormeci ainda assustada, mas com a certeza de que, às vezes, o pesadelo serve pra acordar a gente de um feitiço que o sonho não seria capaz de quebrar.

Isa G.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Do amor... Só quero amor

Do bem que ele me faz, eu quero a continuidade; da saudade que ele me dá, quero a presença; dos sonhos que compartilhamos, quero a vida mais bonita. Da vida que levamos... Quero o aconchego. Das brigas que travamos, eu quero o perdão; dos abraços e carinhos... A essência. Das palavras não ditas, o abraço que reafirma o silêncio de amor; dos dias que passam sozinhos e demoradamente, quero o reencontro. Quero o encontro.
Rubem Alves que me perdoe. A saudade pode até ser encantamento mas, é o ver chegar, é chegar de mansinho, é andar sobre trilhos a caminho desconhecido, vendada e no escuro com todas as incertezas do mundo e com uma só certeza no coração que encanta de verdade. A alma é poção de amor.
Das mãos dadas, quero o laço; dos entrelaços, a confiança. Quero fazer diferente. Dos medos, quero o sumiço; das tristezas, só o sorriso; do futuro... O agora.
Quero que o amor seja livre de ameaças, ponderaçõs, pré-requisitos e simulações. Quero que seja inteiro, verdadeiro, do jeito que tiver de ser. Que seja diferente para cada um, mas que seja com todas as letras A-M-O-R! E que seja grande assim: sem medidas, despedidas, dor. Que seja puro e livre de todos os males externos, livre de toda descrença de quem não sabe o que é amar.
Das despedidas, quero o até logo; dos olhares, o brilho mais intenso; das estrelas, a história mais bonita, das palavras, as sinceras.
Quero o bom dia, boa tarde, boa noite; quero no pensamento ter sempre coisas boas, lembrar e ser lembrada; Quero surpresa e surpreender; crescer e voltar a ser criança. Quero ser livre de qualquer pensamento maligno, livre de toda sujeira d'alma, de todas as máscaras sentimentais. Quero que as palavras venham quando quiserem, que a saudade apareça quando for verdadeira, que as lembranças acometam na tentativa de diminuir a distância entre dois.
Quero o gesto, a palavra, o beijo; o abraço, consolo, o anseio; quero os dias, a fé, felicidade, amor. Do amor... Só quero amor.


Isa G.




quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A menina e o pássaro encantado


Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.

Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…

— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…

E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.

Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.

— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.

Rubem Alves

Dedicado à quem se despede com frequencia das pessoas amadas e por vezes não suportam ou compreendem a saudade. =)

Quanto a ausência, peço desculpa, mas
logo, logo postarei algo novo!
Aos novos seguidores: Muito
obrigada pelo carinho =)
Beijos ;*

Isa G.

sábado, 6 de agosto de 2011

Príncipe? Não!

 "...E que a fé no amor,
 seja salvação para todos os dias."

 Briza Mulatinho 



Ele não é um príncipe encantado, e, por todos os motivos possíveis e imagináveis. Príncipe encantado a gente passa a vida esperando; ele apareceu quando eu menos imaginava. O dito encantado salva a princesa de dragões, da bruxa e da torre alta; ele me salvou e continua salvando de mim mesma. Se eu fosse escolher um papel em um filme pra ele, escolheria aquele cara misterioso que sempre aparece soprando a fumaça de um cigarro. Aquele com enigmas no olhar e com um andar de vilão, mas príncipe? Não. Com o príncipe o "pra sempre" no final da história é certo; com ele, embora eu deseje o "felizes para sempre" tem dia que parece ser o último, ma na manhã seguinte... Tudo bem. Príncipe não xinga, não erra, não atrasa, não diz que vai fazer e não faz, não gera surpresa. É certeza de vida mansa, coração sem disritmia, dias sem sumiços, café-com-leite de segunda a segunda. Ele? Ele xinga o jogo, o carro da frente, o time, o chefe. Fica bravo com a mãe, comigo, com o atraso no aeroporto, com "falação em sua cabeça". E erra... Mesmo que não reconheça. Diz que vai fazer algo e esquece (depois acaba fazendo melhor). Ele? Ah! Ele me irrita, magoa (mesmo sem querer e sem saber), me estressa e briga. Mas também me aperta em um abraço único, me faz rir, me faz bem, me faz feliz. Tem paciência (comigo) e, às vezes, ela também acaba pra mim. Ele me faz esperar e desejar que a vida fosse só daqui pra frente.
Então, posso ser romântica, carente, dramática e adorar contos de fadas, mas, sinceramente, prefiro esse louco desvairado que veio do conto da vida real; que é de corpo, alma, sangra e nenhuma bruxa pode fazer virar sapo. Prefiro ele que existe, e, mesmo não sendo encantado me encanta todos os dias. Ele é melhor que um príncipe. Não tem cavalo branco, capa vermelha, coroa na cabeça, nem um palácio. Não caça, não dança valsa e não vai ser rei, mas joga qualquer jogo com uma habilidade incrível, toca gaita, violão, curte rock e adora cerveja. Fala sério?! Príncipe encantado pra quê? Ele é o melhor não príncipe do mundo que podia aparecer.

Isa G.

domingo, 3 de julho de 2011

O Amor em estado bruto

"...O amor, na essência, necessita de apenas três aditivos: correspondência, desejo físico e felicidade. Se alguém retribui seu sentimento, se o sexo é vigoroso e se ambos se sentem felizes na companhia um do outro, nada mais deveria importar. 

Por nada, entenda-se: 
não deveria importar se outro sente atração por outras pessoas, 
se outro gosta de fazer algumas coisas sozinho, 
se o outro tem preferências diferentes das suas, 
se o outro é mais moço ou mais velho, bonito ou feio, 
se vive em outro país ou no mesmo apartamento
 e quantas vezes telefona por dia. 

Tempo, pensamento, fantasia, libido e energia são solteiros e morrerão solteiros, mesmo contra nossa vontade. Não podemos lutar contra a independência das coisas. Aliança de ouro e demais rituais de matrimônio não nos casam. O amor é e sempre será autônomo..."

Martha Medeiros



Uma semana cheia de amor, paz, 
saúde e realizações
pra todo
mundo!
=)

Um beijo ;*

Isa G.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Lado contrário

‎"...E Deus escrevendo certo pelas nossas linhas
 que se não fossem tão tortas,
 não teriam se cruzado. "
Tati Bernardi

É assustador o jeito como dão certo. Longe dele, ela é preguiçosa; longe dela ele sorri menos. Quando ele está ausente, ela conta os dias que faltam pro próximo encontro; na falta dela ele prega a cara no calendário e faz cálculos pra saber quando pode encontrá-la de novo. Longe dele ela é áspera, raivosa, sentimental; longe dela ele é manso, calmo, trabalhador, rotineiro. Longe dele ela adoece; longe dela ele entorpece. A distância os mantém juntos o tempo todo. É ela dizendo com voz de choro que o quer de volta ali; é ele dizendo que sente falta de abraçar o corpo dela no meio da noite. Mas a distância também os separa. Como brigam quando não se vêem! Ela culpa a saudade; ele prefere culpar a insegurança dela. Se ele pede pra ligar mais tarde e ela ainda tem coisas a dizer, quase pira; se ele liga e a ouve conversar com outras pessoas quer logo saber quem é. Ele acha que ela precisa ser menos dramática; ela acha que ele tem que se lembrar mais dela. Não concordam nas brigas... Se começam a discutir, caminham do nada a lugar nenhum. Mas, na vida... Ah! Na vida... Como esses dois são bonitos juntos! As caretas que ele faz, os bicos que ela mostra; as piadas de tudo que ele vê, os comentários de Shakespeare e Caio que ela faz. As histórias que um conta ao outro e a forma como seus caminhos se encaixaram. Ah! Quando se encontram, quando se olham nos olhos e apertam o corpo de um contra o do outro... Assunto encerrado. É assustadoramente fácil ver que ali existe amor. O jeito como ela ri com o corpo; a maneira como ele segura sua mão; a forma como tentam o tempo todo permanecerem ligados. Não! De jeito nenhum... Não são perfeitos, aliás, passam longe disso. O que? Se eles se completam? De maneira alguma. Fazem mais do que isso. As imperfeições dele, as qualidades dela ajudam a superar. Os defeitos dela são ajudados pelas perfeições que ele possui. Ele calmo normalmente, ela estressada diariamente; ela ciumenta, ele confiante; ele distraído, ela detalhista; ele bom com números, ela boa com as letras; ele um pouco louco; ela louca por ele... E completude? Não... Eles fazem mais... Somam. Ele deposita todas suas forças pra fazê-la estudar, ajuda com artigos por meio de brincadeiras; ela tenta trazê-lo pra perto, cuidar dele; ele dá força; ela mostra como ter paciência; ele a ensina a esperar; ela o ensina que o amor existe; ele a ajuda a amadurecer; ela o faz voltar a ser criança; ele tira a solidão dela; ela não o deixa ser carente. Ele é inteiramente o avesso dela por dentro. Ela é inteiramente o avesso dele por fora. São tão iguais, e ao mesmo tempo, tão diferentes... Que nessa balança louca de amor e realidade buscam o equilíbrio... Juntos. São um time, são dois, são um. São tudo o que o outro sempre quis com todo o bônus e ônus que traz o amor. Do peso que é amar e saber-se amado é assustadoramente bom e leve acompanhar essa história.

Isa G.


domingo, 29 de maio de 2011

Sobre o bem que você me faz

"Amor é quando você fala pra alguém algo ruim
 sobre você mesmo e sente medo que essa pessoa não
 te ame mais por causa disso. Aí você descobre que essa pessoa
 não só continua te amando, como te ama mais ainda"
Samantha - 7 anos

É fácil aceitar que você tenha aparecido; difícil é acreditar que você queira permanecer. É fácil aceitar que você me ame; difícil é acreditar que você possa me perdoar tanto assim. É fácil entender que queira estar comigo; difícil é compreender essa sua paciência em esperar minha adaptação. Adaptação ao amor. Sou acostumada a perda de, a falta de, ausência de... Amor. Perdas e danos não fazem parte apenas das minhas aulas de direito. Fazem parte da minha vida, de quem sou. Sou feita de retalhos; já não sou inteira há um bom tempo. Sou retalhada de dor, medo, decepção; mas a costura é feita de fé, força, coragem. Por isso ainda sigo enfrentando os dias, corações gelados e diálogos cada vez mais curtos. E então me veio você... Pra me salvar de uma solidão cada vez mais profunda, me fazer enfrentar fantasmas, acreditar na felicidade, num futuro, numa soma de pares cujo resultado é um. E você me entregou tudo o que me faltava, mas não de uma forma a me completar e sim de complementar. Entende a diferença?! Você me entregou sua mão, seu ombro, suas palavras, promessas e atitudes. Entregou beijos, abraços, coração, todo sentimento que há nessa vida. E assim eu fui me acostumando... E em qualquer momento de silêncio seu, seja por estar ocupado ou qualquer outra coisa, minha ‘metade medo’ toma conta do meu corpo inteiro e um fantasma chamado ‘perda’ começa a me assombrar. Não sou assim porque quero ou porque te desacredito. Acontece que o bem que você me faz é tanto, que perdê-lo me geraria danos irreparáveis. Porque é você... O único a permanecer. Você continua comigo quando estou prestes a me abandonar; aceita minhas inseguranças, medos, receios; me aceita do jeito que sou: metade defeito, metade qualidade, inteiramente ‘eu’; de um jeito que nem eu me aceito; e você me ama quando me odeio, me perdoa quando me culpo; me aproxima quando me afasto e está sempre, sempre ao meu lado. Seja numa festa ou debaixo do cobertor no dia de domingo; seja num acontecimento bom ou ruim... Você sempre está. E eu não acostumada a esse tipo de amor. E tenho receio de que ele se vá com o entardecer do dia e não volte quando o Sol amanhecer. Porque é assim... As perdas são abruptas e instantâneas e eu não quero perder você. Sobre o bem que você me faz eu quero o amor, quero você. Difícil acreditar que você me queira assim: da forma como quero você; estranho assimilar que o bem que você me faz é a medida certa do que quero pra mim; estranhamente bom saber que é você...

Isa G.